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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Prefeitura de Boa Vista dá uma de Santader Cultural e cancela exposição

Depois de o Santader Cultural cancelar a exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, em Porto Alegre (RS), agora foi a vez de Boa Vista. Por aqui, a Prefeitura cancelou a exposição fotográfica Simulacros, de Adilson Brilhante, até então, prevista para ser aberta hoje, 13 de setembro, na Intendência, onde ficaria até o fim do mês.
Nossa equipe procurou a Prefeitura e recebeu como resposta, por meio de nota da Secretaria Municipal de Comunicação, a alegação atribuída à Fetec de que a Intendência é um Centro de Atendimento ao Turista, com entrada livre a toda população, não sendo possível controlar a entrada de pessoas por faixa etária. A nota ressaltou que a Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura não faz parte da organização do evento.

A classificação indicativa da exposição é 16 anos. A nota não esclarece por que a exposição não foi transferida para outro espaço da Prefeitura onde fosse possível controlar o acesso. Em entrevista ao G1, Adilson Brilhante disse que a exposição cancelada tem as mesmas fotos exibidas há quatro anos no Centro Multicultural da Orla Taumanan, também da Prefeitura. A nota também não explicou por que a instituição permitiu que a exposição fosse instalada, se o espaço era inadequado, como alega a nota.


A exposição é promovida pela Associação Roraimense de Fotografia (aFOTOrr). “Simulacros é um retalho da loucura humana. É o mergulho não tão fundo que afogue o entendimento e não tão raso que pareça frivolidade”, descreve o fotógrafo Adilson Brilhante.

Segundo apuração feita pela nossa equipe, a Prefeitura avisou por telefone a associação sobre o cancelamento, na véspera da abertura da exposição, depois de todo o trabalho de montagem pronto.

A decisão da Prefeitura foi recebida como censura pelos artistas e produtores culturais. A exposição foi transferida para o hall do Bloco I da Universidade Federal de Roraima, com o apoio do curso de Artes Visuais da UFRR, e aberta no dia 13 de setembro.


#LutopelaculturaRR

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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Canjica (paródia Comida)

A gente não quer só canjica
A gente quer também direitos culturais
A gente não quer só canjica
A gente quer é ver um monte de editais

A gente não quer só canjica
A gente quer também arte no interior
A gente não quer só canjica
A gente quer cultura seja onde for

A gente não quer só comer
A gente quer comer alimento pra mente
A gente não quer só comer
A gente quer que valorize o que é da gente

A gente não quer só dinheiro
A gente quer dinheiro e viver de arte
A gente não quer só dinheiro
Quer o ano inteiro e em toda parte

#LutopelaculturaRR

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terça-feira, 22 de agosto de 2017

O que é que a cultura tem? (paródia O que é que a baiana tem?)

O que é que a cultura tem?
O que é que a cultura tem?
O que é que a cultura tem?
O que é que a cultura tem?

Tem edital de música? Não tem
Edital de fotografia? Não tem
Edital de teatro e moda? Não tem
Nem teatro aberto tem

Edital de audiovisual? Não tem
Edital de literatura? Não tem
De culturas populares? Não tem
Nem Casa da Cultura tem

FunCultura funcionando? Não tem
Gestão participativa? Não tem
Transparência e democracia? Não tem
Diálogo também não tem

Política do pão e circo? Tem
Política do balcão? Tem
Política do pires? Tem
Verba no orçamento tem

Gastança com artista de fora? Tem
Políticas defasadas? Tem
Indicação de parente? Tem
Loteamento de cargo tem

#LutopelaculturaRR

sábado, 19 de agosto de 2017

A inacreditável história do milho gigante


Lá pras bandas do lavrado
Uma miúda formiga
Diz que caçava comida
Pra levar pro formigueiro
Andou quase o dia inteiro
E achou algo interessante
Era um milho gigante
Maior que um veado campeiro

A formiguinha valente
Não desistiu logo não
No milho deu um puxão
Depois que fincou-lhe o dente
Empurrou pra trás, pra frente
Mas não saiu do lugar
Ficou logo a matutar:
Precisava dos parente

Mas não podia deixar
O milho ali dando sopa
Porque uma enorme boca
Podia perto passar
E se meter a falar:
“Esse milho agora é meu
Porque se o dono perdeu
Né mais dono, marrapá!”

“Agora o que eu vou fazer?
A formiga perguntava
Mas solução não achava
Pra levar o tal milhão
Foi nesse momento então
Que ali naquele lugar
Passou um tamanduá
Se fazendo de amigão

Disse ele: “Fique fria
Vá que eu cuido pra você
Não deixo ninguém mexer
No milho dos meus amigo
Chame as formiga, os formigo
Pra eles lhe ajudar
E quando vocês voltar
Inda vão encontrar comigo”

A formiga em disparada
Foi até o formigueiro
Chamar os seus companheiro
Pra cuidar do tal milhão
Chamou o pai, o irmão
Os parente, os vizinho
E o formigueiro todinho
Foi andando em mutirão

Só que quando chegou lá
A festa logo babou
O que era doce acabou
O tamanduá comeu tudo
O milho virou sabugo
O sonho, decepção
“Isso que é traição!
Disse ela ao barrigudo

“É da minha natureza
O que acabei de aprontar
O que não dá pra acreditar
É como você caiu
Onde é que já se viu?
Formiga que é formiga
Nenhum dia de sua vida
Confia em tamanduá

Mal terminou de falar
E caiu morto no chão
Devido à congestão
Por comer o milho gigante
E virou naquele instante
Comida pro formigueiro
Foi fartura o ano inteiro
Como nunca se viu antes

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Os 12 irmãos e o milharal


Era uma vez, doze irmãos. Cada um tinha o nome de um mês do ano: Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro. Eles moravam no campo, com o pai e a madrasta.


O pai era bondoso, mas tinha pouco tempo para os filhos, porque trabalhava dia após dia na roça, para poder alimentar tantas bocas. Porém, sempre que voltava do trabalho, trazia alguma coisa para os filhos: macaxeira, batata-doce, jerimum. Era uma festa! Faziam muita arte juntos.


Quando o pai saía de casa voltava o tormento. Os curumins ficavam sob os cuidados da madrasta, que não gostava nenhum pouco deles. A megera amava somente uma criança: seu único filho biológico entre os doze, Junho. Por isso, quando o marido ia trabalhar, ela e o filho predileto comiam quase tudo o que havia em casa e a madrasta escondia a comida que sobrava. Deixava as outras crianças com fome. Quanto olho grande!


Quando o pai precisou fazer uma longa viagem, a coisa ficou pior: os curumins não tinham quem olhasse por eles e se viam obrigados a caçar comida sozinhos no mato, para não morrerem de fome.


Um dia, encontraram, sem querer, a roça do pai. Lá, o milharal estava dando frutos. Felizes da vida, eles colheram tudo o que podiam e levaram para casa. Pelo menos, naquela janta, tiraram a barriga da miséria.

Mas, assim que acordaram, no outro dia, viram que o pior acontecera. Alguém comera todo o milho que havia sobrado. E não era pouco! Dava para alimentar a família inteira por um tempão. Os sabugos depenados estavam jogados pelo chão da casa.


― Quem teria feito isso? ― perguntou Agosto, desgostoso.


Nesse momento, Junho apareceu bocejando na cozinha.


― Foi você? ― perguntou Agosto ao meio-irmão.


Junho tentou negar, mas foi traído pelo seu sorriso amarelo, literalmente. Entre seus dentes ainda era possível ver pedaços de milho cozido. Pego com a boca na botija, ele saiu correndo. Os irmãos correram atrás. Ele entrou no quarto e se escondeu debaixo da cama da mãe.


― Madrasta, o Junho comeu o milho todo ― acusaram.


Ela parecia estar com muito sono, porque mesmo com todo aquele barulho nem se mexia na cama, sob os lençóis. Abril, um dos irmãos mais velhos, puxou, então, o lençol e, para a surpresa de todos, a madrasta não estava lá. No seu lugar, havia uma pilha de milhos escondida.


― O que é que vocês estão fazendo aqui? ― perguntou a madrasta, ao entrar pela porta do quarto.


A mulher estava terminando de comer os últimos grãos de milho cozido do sabugo que trazia na mão. Os meninos entenderam que não adiantava reclamar de Junho para ela, por que a madrasta também comera os milhos que eles trouxeram para casa.


― Não digam nada ao pai de vocês ou vão se ver comigo! E se deem por satisfeitos por não levarem uma surra de mim.


As crianças começaram a chorar.


― O que está acontecendo aqui? ― perguntou o pai.


― Marido? Você não estava viajando?


― Sim, mas precisei voltar mais cedo.


O pai ficou a par de tudo o que acontecera na sua ausência. Resolveu acabar com o casamento. A mulher foi embora na sua vassoura. Ela era uma bruxa. Arrependido, Junho pediu desculpas aos irmãos. Compreendeu que merecia comer tanto quando todos os outros da casa. O pai passou a cuidar dos filhos com mais carinho e nunca mais deixou alguém tratá-los mal. Daí em diante, nunca mais passaram fome e viveram felizes para sempre.