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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Governadora admite: “museu de Roraima está abandonado totalmente”

Suely Campos também declarou que ainda está em dívida com a população e que o estado do prédio está ‘uma vergonha’. A declaração foi dada no fim do ano passado, mas ainda continua atual.

A governadora Suely Campos reconheceu que o Museu Integrado de Roraima está “abandonado totalmente”. A declaração foi feita dia 13 de dezembro de 2016, durante a abertura do evento #dialogaculturarr, realizado pelo Governo do Estado, com o objetivo de promover uma conversa com os segmentos culturais, ouvir as demandas por ações e políticas públicas de cultura que contemplem a totalidade das manifestações e segmentos culturais de Roraima e debater o Sistema de Cultura e a implementação do Fundo de Cultura (FunCultura).

“Realmente, ainda estou em dívida com meu Estado, com nossa população porque eu não consegui”, disse a governadora, ao explicar que não cumpriu integralmente a restauração do Museu porque o projeto previa estrutura de ferro para o prédio, o que não foi aprovado. Suely Campos acrescentou que o Governo está “fazendo tudo” para poder chegar ao momento de ficar apto a licitar e recuperar o Museu.
Foto: Governo de Roraima
“Está uma vergonha, abandonado, totalmente”, desabafou a Governadora, ao dizer que, “se Deus quiser”, no final do Governo, será entregue o museu pronto, restaurado e com todas as pesquisas realizadas pelo espaço.

A fala da governadora foi uma resposta ao poeta Eliakin Rufino, que, em seu discurso na abertura do evento, lembrou que Roraima não tem um Museu do Índio.

Localizado no Parque Anauá, o Museu Integrado de Roraima foi criado na década de 80 e está fechado à visitação desde 2012. Em fevereiro do ano passado, o Governo do Estado anunciou o recebimento de R$ 400 mil em recursos para concluir a reforma do Museu, com expectativa de reinauguração até o fim de 2015, o que não se cumpriu.

Leia a íntegra da declaração da governadora Suely Campos

“O Eliakin falou na questão que nos não temos um museu. Realmente, ainda estou em dívida com meu estado, com nossa população porque eu não consegui. Peguei um projeto do museu que foi feito para restaurar, mas não cumpriu a restauração na sua integridade. Colocaram uma estrutura de ferro, que nós não queremos. Então, nós estamos refazendo tudo para poder chegar ao momento em que nós ficarmos também aptos a licitar o nosso museu e recuperar o nosso museu de Roraima, que tá uma vergonha, abandonado, totalmente. Mas se Deus quiser, no final do nosso Governo, nós vamos entregar o nosso museu pronto, restaurado e com todas as nossas pesquisas, voltar ao que era antes, implementar coisas mais para o nosso museu.”

O discurso integral da governadora pode ser visto no vídeo abaixo. Ela fala especificamente sobre o museu no trecho entre 1:56:20 e 1:57:38.
Dia 13/12 (noite): abertura

Veja também o vídeo O Nativo Cupim Relativo (2015), curta-metragem experimental sobre a realidade do Museu Integrado de Roraima. Direção: Éder Rodrigues.

Para saber mais sobre o evento #dialogarr, acesse:

Após mobilização da sociedade civil, Governo do Estado realiza #dialogaculturarr

Para ler textos anteriores sobre outros prédios públicos culturais abandonados em Roraima, leia abaixo:
Programação do Abandono [Você é o que escolhe!]
Programação do Abandono [Seria cômico se não fosse trágico]

sábado, 1 de outubro de 2016

Olhares estrangeiros de uma cidadã

Por Cláudia Nascimento

Como nômade que sou, estou acompanhando o andar destas eleições em várias cidades, especialmente Rio de Janeiro, Niterói, Belém e, onde moro, Boa Vista. Confesso que estou profundamente descrente de tudo, mas alguns lampejos me animam e é na hora que tomamos fôlego que conseguimos caminhar um pouco mais.

Rio de Janeiro e Niterói têm se tornado cidades estranhas para mim: não me reconheço em seus rumos. Entristeço-me com isso, mas ainda quero crer que o futuro deste País não é o quadro que se avista no horizonte, assustador, porque o fade-out não aponta sequência desse filme.

Belém está num campo movediço e inconsistente: uma terra de cego onde quem tem um olho é aleijado e, quem tem dois, é louco! A retórica domina a eleição e termos como "assistência técnica", "plano metropolitano", "instrumentos do Estatuto das Cidades" são compreendidos como propostas de governo e não como ferramentas de gestão. Apenas dois candidatos têm discurso compatível com a lógica de gestão de uma cidade, mas um aporta como pirata, ou Robin Hood às avessas, roubando votos dos esclarecidos que, no segundo turno, serão migrados para o grupo mais conservador e retrógrado da Amazônia.

Sobre Boa Vista, tem-se uma aparente definição em primeiro turno. Digo "aparente" pois estou vendo a partir do lugar onde estou e não da zona oeste, onde se concentram o maior contingente populacional e problemas urbanos e, de fato, a atual prefeita ainda não aportou obras relevantes para aquela região da cidade: Boa Vista é linda, mas as questões socioeconômicas colocam a cidade numa situação de encruzilhada (não de rotatória, muito comum aqui) em que tem que se tomar rumos sérios.

Fonte: Estados e Capitais do Brasil

Nesse sentido, o CAU-RR fez uma carta aberta aos candidatos a prefeitos e vereadores, que inspiraram a representação local. Vou falar pouco, serei direta e objetiva: Boa Vista é uma boa cidade, mas tem muito para melhorar. E digo mais: por falta de planejamento, gestão e governança que entenda a cidade, está piorando a passos largos desde que cheguei aqui.

Não posso ser cega a isso, então colaborei com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Roraima para a construção da Carta Aberta aos Candidatos a Prefeitos e Vereadores de Roraima.

Fonte: Museu Oscar Niemeyer

Oxalá possamos contribuir de fato pelas nossas cidades!

A vantagem de estar sempre vendo as coisas com distanciamento crítico e geográfico é também nunca estar em seu domicílio eleitoral: o que me garante o direito de não votar.

Cláudia Nascimento é arquiteta e urbanista, especialista em Semiótica e Artes Visuais, mestre em Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Patrimônio, Restauro e Tecnologia, professora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Roraima. Compõe o Colegiado Setorial de Arquitetura e Urbanismo do Conselho Nacional de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (CNPC/MinC).
** Clique aqui e leia outro texto de Cláudia Nascimento.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Arquitetura, Urbanismo e responsabilidade

O curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRR tem 11 anos. Passou por alguns momentos críticos, com falta de professores e até com manifestações dos discentes, mas o esforço em mantê-lo vivo se reflete na vontade dos professores e alunos. Único curso de Arquitetura e Urbanismo do estado de Roraima, que já contribuiu até agora com 65 profissionais para o mercado de trabalho local e para o fortalecimento da menor representação estadual do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. E o que isso tem de importante?
Depois de tantos revezes e momentos tensos, o curso passou por avaliação do MEC no início do mês, auferindo nota 4, o que é excelente, no contexto histórico do curso. O que isso significa? Por um lado, o reconhecimento do trabalho de uma comunidade acadêmica de docentes, discentes e gestores empenhados no crescimento dos cursos da UFRR, por outro a percepção das potencialidades, por parte das avaliadoras, de nosso curso na perspectiva de sua contribuição para a região Norte e a nossa especial condição de zona de fronteira.
Quem estiver envaidecido com essa nota 4, deve pensar também na responsabilidade que esta representa, afinal, a sociedade irá exigir proporcionalmente ao crédito que nos foi dado. E o que faz um Arquiteto e Urbanista?

A cidade é como um jogo de cartas


Antes de tudo, propõe espaços, não apenas constrói, mas pensa sobre eles, sejam pequenos ou grandes, um ambiente ou uma cidade. Estuda, precisa de informação confiável para produzir bons resultados. Não se faz um curso de Arquitetura e Urbanismo sem a contribuição de todos os agentes – que não só estão na universidade, mas da sociedade em geral – que demandarão profissionais, mas que também precisam saber o que esperar deles. Há necessidade de inserção no mercado daqueles que se formam, seja por contratação em órgãos públicos, seja para que a reforma da casa seja coerente, econômica e eficiente. Os arquitetos e urbanistas precisam de informações, demandam isso de várias instâncias públicas que, também, precisam disponibilizar o acesso a isto. Precisamos, ainda, de parceiros para desenvolver atividades de pesquisa e extensão.
Essa avaliação positiva, a qualidade do ensino público e a formação dos arquitetos e urbanistas, no único curso do estado, depende de todos, não apenas dos mais diretamente envolvidos. Parabéns a todos que estão nesse jogo.


Texto: Cláudia Nascimento
Arquiteta e Urbanista, especialista em Semiótica e Artes Visuais, mestre em Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Patrimônio, Restauro e Tecnologia, professora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Roraima.