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terça-feira, 8 de agosto de 2017

O Nativo Cupim Relativo

https://www.facebook.com/pedro.alencar.10/videos/vb.100002182942926/876667892415967/?type=2&theater


O Nativo Cupim Relativo (2015) é curta-metragem experimental sobre a realidade do Museu Integrado de Roraima.
Direção: Éder Rodrigues.

#LutopelaculturaRR 


* Para saber mais sobre o Museu Integrado de Roraima, acesse:

Governadora admite: “museu de Roraima está abandonado totalmente”

** Acesse também:

Artistas fazem articulação nas mídias sociais para denunciar descaso com a cultura local 
Deu sumiço
Esclarecimentos à sociedade


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Governadora admite: “museu de Roraima está abandonado totalmente”

Suely Campos também declarou que ainda está em dívida com a população e que o estado do prédio está ‘uma vergonha’. A declaração foi dada no fim do ano passado, mas ainda continua atual.

A governadora Suely Campos reconheceu que o Museu Integrado de Roraima está “abandonado totalmente”. A declaração foi feita dia 13 de dezembro de 2016, durante a abertura do evento #dialogaculturarr, realizado pelo Governo do Estado, com o objetivo de promover uma conversa com os segmentos culturais, ouvir as demandas por ações e políticas públicas de cultura que contemplem a totalidade das manifestações e segmentos culturais de Roraima e debater o Sistema de Cultura e a implementação do Fundo de Cultura (FunCultura).

“Realmente, ainda estou em dívida com meu Estado, com nossa população porque eu não consegui”, disse a governadora, ao explicar que não cumpriu integralmente a restauração do Museu porque o projeto previa estrutura de ferro para o prédio, o que não foi aprovado. Suely Campos acrescentou que o Governo está “fazendo tudo” para poder chegar ao momento de ficar apto a licitar e recuperar o Museu.
Foto: Governo de Roraima
“Está uma vergonha, abandonado, totalmente”, desabafou a Governadora, ao dizer que, “se Deus quiser”, no final do Governo, será entregue o museu pronto, restaurado e com todas as pesquisas realizadas pelo espaço.

A fala da governadora foi uma resposta ao poeta Eliakin Rufino, que, em seu discurso na abertura do evento, lembrou que Roraima não tem um Museu do Índio.

Localizado no Parque Anauá, o Museu Integrado de Roraima foi criado na década de 80 e está fechado à visitação desde 2012. Em fevereiro do ano passado, o Governo do Estado anunciou o recebimento de R$ 400 mil em recursos para concluir a reforma do Museu, com expectativa de reinauguração até o fim de 2015, o que não se cumpriu.

Leia a íntegra da declaração da governadora Suely Campos

“O Eliakin falou na questão que nos não temos um museu. Realmente, ainda estou em dívida com meu estado, com nossa população porque eu não consegui. Peguei um projeto do museu que foi feito para restaurar, mas não cumpriu a restauração na sua integridade. Colocaram uma estrutura de ferro, que nós não queremos. Então, nós estamos refazendo tudo para poder chegar ao momento em que nós ficarmos também aptos a licitar o nosso museu e recuperar o nosso museu de Roraima, que tá uma vergonha, abandonado, totalmente. Mas se Deus quiser, no final do nosso Governo, nós vamos entregar o nosso museu pronto, restaurado e com todas as nossas pesquisas, voltar ao que era antes, implementar coisas mais para o nosso museu.”

O discurso integral da governadora pode ser visto no vídeo abaixo. Ela fala especificamente sobre o museu no trecho entre 1:56:20 e 1:57:38.
Dia 13/12 (noite): abertura

Veja também o vídeo O Nativo Cupim Relativo (2015), curta-metragem experimental sobre a realidade do Museu Integrado de Roraima. Direção: Éder Rodrigues.

Para saber mais sobre o evento #dialogarr, acesse:

Após mobilização da sociedade civil, Governo do Estado realiza #dialogaculturarr

Para ler textos anteriores sobre outros prédios públicos culturais abandonados em Roraima, leia abaixo:
Programação do Abandono [Você é o que escolhe!]
Programação do Abandono [Seria cômico se não fosse trágico]

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Audiovisual e política cultural prática

Éder Rodrigues*

A Associação Brasileira de Documentaristas e Curta Metragistas (ABD&C Curta Roraima) foi implantada em Roraima em 2004. De lá pra cá vem ocupando espaços importantes para proposição de projetos para desenvolver o cinema em Roraima.

A Rede Audiovisual de Roraima, movimento criado em 2015, também surge como um fórum de realizadores capaz de contribuir com o debate para formulação de políticas culturais destinadas ao segmento audiovisual. Juntas, as duas entidades fazem importante trabalho de mobilização e organização do cenário audiovisual no Estado.

Desta forma, o segmento vem crescendo, ganhando força e identificando uma demanda por mais formação em cinema, fomento e circulação de filmes produzidos por pessoas que moram no Estado. Muito estimula a categoria perceber o crescimento da produção independente e autoral. Cineastas, estudantes universitários e do ensino médio, publicitários, jornalistas e profissionais de diversos ramos da comunicação vêm produzindo obras diversificadas, revelando o Brasil do extremo norte, para além de rótulos socioculturais televisivos.

Bastidores do primeiro longa-metragem de Roraima, Remanescente das Sombras (2009), de Alex Pizano
O cinema e o vídeo permitem aos realizadores expressarem suas subjetividades, suas opiniões e leituras de mundo, apropriando-se das novas tecnologias digitais. Neste sentido, o curta-metragem serve como experimento de linguagem e a primeira experiência audiovisual para muitos apaixonados por cinema.

Mas, para que isso ocorra com mais efetividade, faz-se necessário o apoio estatal com financiamento local direto, além de qualificação e incentivo à captação de recursos em editais ou programas federais. É preciso pensar programas e projetos que favoreçam estas ações e não priorizar, por exemplo, a submissão de projetos ao marketing cultural de empresas privadas, como preceituam as leis de incentivo à cultura, sob o discurso retórico de renúncia fiscal.

Tal política exclui parte de um público que desenvolve ideias brilhantes, inovadoras, educativas, lúdicas, criativas e até revolucionárias que, no entanto (já temos histórico para isso), são desinteressantes para a “visão-reducionista-simplista-do-lucro-empresarial”, com raras exceções.

Necessário é o debate e a compreensão da riqueza da autoria e das novas subjetividades com as quais realizadores e outros artistas têm se destacado. Ao atender à demanda pelo estímulo à produção, todos ganhariam: o Estado, o sistema de ensino, o turismo, realizadores, público e a cultura regional.

Importante destacar que o movimento audiovisual em Roraima identificou cerca de 200 obras de curta, média e longa duração, produzidas de forma autoral no Estado. Com isso, temos um mapeamento do que está sendo produzido em Roraima. Esta construção se faz a partir do diálogo com realizadores locais, permitindo que o movimento audiovisual organize o perfil dos filmes produzidos, crie uma memória, assim como perceba as linguagens adotadas e o conteúdo trabalhado.


As informações estão divididas entre: 1) filmes produzidos a partir de oficinas e cursos; 2) obras autorais sem financiamento estatal e; 3) obras realizadas com financiamento. Os filmes de cunho “publicitário” ou “institucional” não entram neste processo. São inclusas na pesquisa, as obras de gênero ficção, documentário, animação e experimental, todas autorais produzidas desde os anos 80 até 2016. Há um longo trabalho ainda pela frente.  

Este trabalho visa, ao final do processo, valorizar a arte e os artistas locais. Novas ações de circulação e novos mercados também podem ser abertos com o reconhecimento desta produção e destes realizadores. O primeiro passo está sendo dado: organização do acervo fílmico com importante articulação coletiva.

* Jornalista, sociólogo, especialista em Marketing e Linguagem Audiovisual. Presidente da Associação Curta Roraima e membro da Rede Audiovisual de Roraima. Servidor da UFRR.

Para ler mais textos de Éder Rodrigues sobre políticas públicas para o audiovisual clique nos links abaixo:

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Por mais imagem e som: museu, memória e futuro (parte 2)

Éder Rodrigues*

Compreender os processos e os agentes de socialização é atribuição das Ciências Sociais, atividade impossível de se realizar se não estiver atrelada a disciplinas como a Sociologia e a História. Com elas, é possível refletir sobre o espaço-tempo em que se dão os processos sociais. Da mesma forma, registros audiovisuais são importantes testemunhos e documentos de uma época. Instrumentos úteis para reflexão destes processos.

O arquiteto Darcy Romero Derenusson, ministrou a aula magna no segundo semestre de 2016 da Universidade Federal de Roraima (UFRR), tratando da construção do plano radial concêntrico da cidade de Boa Vista (RR), nos anos 40, sob o governo local do capitão Ene Garcez, na era Vargas. Na aula, o público fez uma viagem imaginária por meio das fotografias daquela época feitas pelo pai do arquiteto. Um acervo importante.


Antes disso, em 1924, o médico e geógrafo americano Alexander Hamilton Rice viajou para o extremo norte do Brasil trazendo um hidroavião e um barco a motor. Dentre inúmeras e belas fotografias aéreas, registrou o que seria a cidade de Boa Vista. Seu trabalho de pesquisa, como escrito no livro dele “Exploração na Guiana Portuguesa”, foi um dos motivos para se criar o Instituto de Geografia e Estatística da Universidade de Harvard (EUA). Um acervo importante.

Antes disso, o etnógrafo alemão Theodor Koch Grünberg, em 1911, quase duas décadas depois da criação do primeiro experimento cinematógrafo na França pelos irmãos Lumière, trouxe um exemplar do equipamento para o extremo norte do Brasil e filmou os índios locais. Muitas fotografias também foram feitas e algumas publicadas na obra seriada em três tomos “Do Roraima ao Orinoco”, que só chegou na versão portuguesa em 2006, pela Editora da UNESP. Um importante acervo fílmico e fotográfico.

Muito antes disso, de 1783 a 1792, o naturalista luso-brasileiro, Alexandre Rodrigues Ferreira e seus pintores, no estilo renascentista, registraram em telas aspectos sócio-ecológicos da região Amazônica, publicados nos tomos da obra “Viagem Filosófica”.

Para além desta “Amazônia Caribenha”, muitos outros personagens contribuíram com seus registros fotográficos e fílmicos por toda a Amazônia, sobretudo, na virada do século XIX para o XX. Dentre eles: Ermanno Stradelli, Albert Frisch, Walter Hunnewell, Felipe Augusto Fidanza, George Hüebner, Henri Anatole Coudreau, Marechal Rondon e, talvez, o que mais se destaca pela sua obra fílmica: Silvino Santos.

Tais registros estão espalhados em vários lugares do mundo, em centros culturais, bibliotecas públicas e privadas pelo Brasil. São mais que registros. São importantes documentos históricos que, acessados, contribuem para educar o olhar de estudantes e pesquisadores sobre esta região.

Os meios de comunicação são, sem dúvida, os agentes de socialização que mais ‘educam’ (além da família e escola) na contemporaneidade. Presentes em espaços públicos e privados, cinema, vídeo, televisão, fotografia, rádio, internet, telefones celulares e impressos são os meios mais eficazes e persuasivos da nossa sociedade ocidentalizada. A história é contada neles e por eles, assim como as opiniões são formadas a partir deles.

A pergunta que fazemos, portanto, é: como reunir este material, classificar, socializar e permitir um olhar múltiplo, plural e crítico? A importância da criação de espaços institucionais adequados à difusão deste conhecimento é latente em nosso estado. Nossa proposição, já exposta em textos anteriores, é a necessidade da implantação de um Museu da Imagem do Som, experiência exitosa de longas décadas no Brasil.

No entanto, pensar uma política para o patrimônio cultural, com vistas a manter a memória acessível a todos precisa estar na pauta dos gestores públicos e de profissionais e pesquisadores em uma dimensão interdisciplinar e pedagógica. Um futuro que necessita de conhecimento deste “passado” e, fundamentalmente, de ação no presente.



* Jornalista, sociólogo, especialista em Marketing e Linguagem Audiovisual. Presidente da Associação Curta Roraima e membro da Rede Audiovisual de Roraima. Servidor da UFRR.

Clique aqui para ler o artigo Por mais imagem e som: museu, memória e futuro (parte 1)

Clique aqui para ler outro texto de Éder Rodrigues.