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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Depois de post sobre promessas não cumpridas, governadora promete cumprir promessas

No mesmo dia em que foi publicado neste blog o post Se Selma Mulinari pagasse multa por todas as promessas não cumpridas, estaria endividada, a governadora Suely Campos voltou a prometer a reinauguração de espaços públicos, como a Casa da Cultura, o Teatro Carlos Gomes e a Escola de Música, segundo o jornal Folha de Boa Vista, obras de reforma e manutenção consideradas prioritárias para a governadora. A publicação foi feita no jornal no dia 20 de setembro, às 0h35.


As diversas declarações da governadora e de secretários de Estado, nos últimos anos, se contradizem mutuamente, parecem revelar falta de diálogo entre eles e são de deixar qualquer um sem norte: as datas de previsão para reabrir espaços públicos são prorrogadas e antecipadas várias vezes em um mesmo ano, mais prorrogadas que antecipadas. Uma hora, o projeto está pronto; na outra, não está mais. Uma hora, o Governo não tem recursos e busca financiamento federal; na outra, o Governo de Roraima tem verba e a obra será realizada com recursos próprios.

Casa da Cultura – À Folha de Boa Vista, Suely Campos declarou que o projeto de restauração deve ser encaminhado para licitação ainda neste mês. Como informado naquele post, a Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf), prometeu no dia 4 de março de 2017, ao jornal Roraima em Tempo, que a licitação deveria ocorrer até o fim daquele mês. Antes disso, em dezembro de 2016, no evento #dialogaculturarr, a governadora Suely Campos garantiu que, naquela oportunidade, o projeto de restauração da Casa da Cultura estava “prontinho”, na Seinf, para licitar e que, “se Deus quiser”, o espaço seria reinaugurado no meio de 2017.

Teatro Carlos Gomes – Ainda de acordo com a Folha de Boa Vista, o secretário de Estado da Infraestrutura, Gregório Almeida, apresentou o projeto de reconstrução “que está pronto, necessitando apenas de adequações orçamentárias, para que seja finalizado e encaminhado para licitação”. Em post anterior, consta anúncio do Governo do Estado, feito em 2015, de que faria a reforma do Teatro, por meio de projeto em fase de aprovação no Ministério do Turismo. Mas, segundo declaração da irmã da governadora e secretária de Cultura, feita em 11 de agosto de 2017, o Governo não tinha os cerca de R$ 2,5 milhões, segundo esta, necessários para fazer o teatro voltar a funcionar. Agora a governadora garante que o Estado tem essa verba e que o recurso será alocado.

Escola de Música – Também segundo a Folha de Boa Vista, as obras de reforma “já estão em andamento e devem ser concluídas ainda este ano”. Em 2015, a governadora justificou que naquele ano não foi possível, mas prometeu contemplar a Escola de Música de Roraima com obras de revitalização em 2016. “Vindo aqui hoje eu me sinto ainda incompleta em relação à escola”, desabafou a governadora, ao site Roraima em Foco. E emendou: “em 2016 ela ficará linda, com certeza”.

Na reunião de ontem, com a Seinf, a governadora prometeu alocar recursos para garantir que todos esses prédios sejam revitalizados, sobretudo a Casa da Cultura e o Teatro Carlos Gomes, e culpou gestões anteriores pelo completo abandono. “É um compromisso nosso entregar esses prédios para a comunidade totalmente restaurados”, garantiu, ao jornal, Suely Campos, que tomou posse como governadora em 2015.

Sobre o Museu Integrado de Roraima, nada foi dito dessa vez.

#LutopelaculturaRR

Leia também: 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Se Selma Mulinari pagasse multa por todas as promessas não cumpridas, estaria endividada

Lei Estadual de Incentivo à Cultura: edital
Cumpriu a promessa? Não.
Cumpriu a promessa? Claro que não!
Promessa 3: lançar edital até 25 de setembro de 2017
Cumpriu a promessa? Só o tempo dirá...


Casa da Cultura: licitação de reforma
Promessa: licitação em setembro de 2017
Cumpriu a promessa? Só o tempo dirá... Reforça-se que a promessa da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf), feita no dia 4 de março de 2017, ao jornal Roraima em Tempo, era de que a licitação deveria ocorrer até o fim daquele mês. Antes disso, em dezembro de 2016, no evento #dialogaculturarr, a governadora Suely Campos garantiu que, naquela oportunidade, o projeto de restauração da Casa da Cultura estava “prontinho”, na Seinf, para licitar e que, “se Deus quiser”, o espaço seria reinaugurado no meio de 2017. Destaca-se que em pesquisa no Diário Oficial do Estado, pelas palavras-chaves Casa da Cultura, não encontramos nenhum documento publicado em 2017. Ressalta-se que, em buscas anteriores, o sistema de pesquisa do site do Diário Oficial apresentou falhas: não foi encontrado nenhum resultado de 2017 pela palavra GTAP, ainda que tenham sido feitas publicações referentes ao Grupo Técnico de Avalição de Projetos neste ano.
 
Editais de seleção de projetos dos segmentos culturais

Cumpriu a promessa? Não. Até agora foram lançados dois editais: o de ocupação da Galeria de Artes Luiz Canará, do Parque Anauá, e o de seleção de grupos a se apresentarem no 2º Festival Makunaima, no anfiteatro do Parque Anauá. Ao jornal Folha de Boa Vista, a secretária prometeu que seriam oito editais, ainda que tenham sido listados apenas sete: teatro, dança, moda, literatura, artes visuais, cinema e arte popular.

FunCultura: implementação
Cumpriu a promessa? Só o tempo dirá... Segundo a Secult, a conta bancária já foi aberta. Mas, ao que se sabe, a Comissão Técnica Permanente (Cotepe) ainda não foi criada. A Cotepe tem por objetivo prestar assessoramento técnico nos processos de seleção e aprovação de projetos culturais no FunCultura.

Museu Integrado de Roraima
Para não deixar a secretária de Cultura sozinha, o Governo do Estado também não cumpriu a promessa que fez de reinaugurar o Museu até o fim de 2015. A promessa foi feita em abril daquele ano. Na época, o Governo anunciou ter recebido R$ 400 mil para concluir a reforma do espaço. No evento #dialogaculturarr, a governadora Suely Campos prometeu reinaugurar o Museu de Roraima até o “fim do Governo”, “se Deus quiser”.

Teatro Carlos Gomes – reinauguração
O Governo do Estado anunciou em 2015 que faria a reforma do Teatro. Segundo a secretária de Cultura, por falta de verba, não há previsão para reabrir o espaço.

#LutopelaculturaRR

Leia também:  




terça-feira, 8 de agosto de 2017

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Governadora admite: “museu de Roraima está abandonado totalmente”

Suely Campos também declarou que ainda está em dívida com a população e que o estado do prédio está ‘uma vergonha’. A declaração foi dada no fim do ano passado, mas ainda continua atual.

A governadora Suely Campos reconheceu que o Museu Integrado de Roraima está “abandonado totalmente”. A declaração foi feita dia 13 de dezembro de 2016, durante a abertura do evento #dialogaculturarr, realizado pelo Governo do Estado, com o objetivo de promover uma conversa com os segmentos culturais, ouvir as demandas por ações e políticas públicas de cultura que contemplem a totalidade das manifestações e segmentos culturais de Roraima e debater o Sistema de Cultura e a implementação do Fundo de Cultura (FunCultura).

“Realmente, ainda estou em dívida com meu Estado, com nossa população porque eu não consegui”, disse a governadora, ao explicar que não cumpriu integralmente a restauração do Museu porque o projeto previa estrutura de ferro para o prédio, o que não foi aprovado. Suely Campos acrescentou que o Governo está “fazendo tudo” para poder chegar ao momento de ficar apto a licitar e recuperar o Museu.
Foto: Governo de Roraima
“Está uma vergonha, abandonado, totalmente”, desabafou a Governadora, ao dizer que, “se Deus quiser”, no final do Governo, será entregue o museu pronto, restaurado e com todas as pesquisas realizadas pelo espaço.

A fala da governadora foi uma resposta ao poeta Eliakin Rufino, que, em seu discurso na abertura do evento, lembrou que Roraima não tem um Museu do Índio.

Localizado no Parque Anauá, o Museu Integrado de Roraima foi criado na década de 80 e está fechado à visitação desde 2012. Em fevereiro do ano passado, o Governo do Estado anunciou o recebimento de R$ 400 mil em recursos para concluir a reforma do Museu, com expectativa de reinauguração até o fim de 2015, o que não se cumpriu.

Leia a íntegra da declaração da governadora Suely Campos

“O Eliakin falou na questão que nos não temos um museu. Realmente, ainda estou em dívida com meu estado, com nossa população porque eu não consegui. Peguei um projeto do museu que foi feito para restaurar, mas não cumpriu a restauração na sua integridade. Colocaram uma estrutura de ferro, que nós não queremos. Então, nós estamos refazendo tudo para poder chegar ao momento em que nós ficarmos também aptos a licitar o nosso museu e recuperar o nosso museu de Roraima, que tá uma vergonha, abandonado, totalmente. Mas se Deus quiser, no final do nosso Governo, nós vamos entregar o nosso museu pronto, restaurado e com todas as nossas pesquisas, voltar ao que era antes, implementar coisas mais para o nosso museu.”

O discurso integral da governadora pode ser visto no vídeo abaixo. Ela fala especificamente sobre o museu no trecho entre 1:56:20 e 1:57:38.
Dia 13/12 (noite): abertura

Veja também o vídeo O Nativo Cupim Relativo (2015), curta-metragem experimental sobre a realidade do Museu Integrado de Roraima. Direção: Éder Rodrigues.

Para saber mais sobre o evento #dialogarr, acesse:

Após mobilização da sociedade civil, Governo do Estado realiza #dialogaculturarr

Para ler textos anteriores sobre outros prédios públicos culturais abandonados em Roraima, leia abaixo:
Programação do Abandono [Você é o que escolhe!]
Programação do Abandono [Seria cômico se não fosse trágico]

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Por mais imagem e som: museu, memória e futuro

Por Éder Rodrigues
 
Na sociedade contemporânea do espetáculo, as imagens e os sons são elementos integrantes e 'quase' inseparáveis da vida social de nossa cultura ocidental. A mensagem visual e sonora produzida e registrada por meio de diversas plataformas pode ser óbvia, mas também pode ser sutil e subjetiva. A imagem pode ser entendida para além do olhar, assim como os sons não se limitam aos ouvidos. São locais e globais. São linguagens universais e não se enquadram em fronteiras. Imagens e sons também são patrimônios culturais.
 
Na perspectiva da complexidade do pensamento ameríndio e africano, base também da constituição sociocultural do Brasil, o visual e o sonoro ganham outros valores, para além da nossa limitada leitura ocidentalizada e insistentemente colonizadora da vida. Com a facilidade de acesso à tecnologia, os povos tradicionais também fazem seus sons e suas imagens. Temos o privilégio no Brasil de conviver com povos que mantêm um multinaturalismo, termo complexo, ainda por ser valorizado e reconhecido nas instâncias político-culturais. 
 
O Estado de Roraima é um laboratório imagético e sônico. Por meio das imagens e dos sons, temos a possibilidade de viajar no tempo em que a Amazônia foi inventada, interpretada. Viajantes e cronistas desenharam uma realidade social, cultural e, sobretudo, estética. Temos a possibilidade de estudar o que ficou: registros, desenhos, gravuras, filmes, fotografias, dentre outras produções que revelam o quanto estes elementos podem contribuir para a construção ou desconstrução da história de um povo.
 
No entanto, falta abrigo para esta memória. É convergência entre as pessoas que se interessam pelo tema que, pouca mobilização e desinteresse político da sociedade atrapalham a reflexão deste tema. Este debate, no mínimo, precisa ter perspectiva política, sócio-histórica e antropológica. Artistas, pesquisadores, professores, estudantes, autoridades e a sociedade em geral têm discutido a importância de reunir estes elementos visuais e sonoros para ampliar o conhecimento e democratizar o saber. É importante pensar além das áreas culturais que preservem aspectos biológicos e coleções diversas.
Dança do parixara, registrada na região atualmente denominada Roraima, no começo do século XX, pelo etonológo alemão Koch Grünberg.
Imagem: Philips Universität Marburg, Museum für Völkerkunde Berlin. Site: Füllgrafianas
No Brasil e no mundo, registram-se boas experiências de espaços culturais com ênfase na segmentação, tornando-se museus disputados e modernos, frequentados por pessoas não especializadas e por estudantes. É o caso dos museus descobertos, por exemplo, pelas lideranças indígenas (PA, AM, DF) em que a memória cultural dos povos indígenas vem sendo valorizada. Os exemplos de Museus específicos no Brasil e no mundo mostram como a criatividade de diversos segmentos culturais pode ser potencializada.
 
Roraima tem muito mais a oferecer. Mas precisa de inovação. Temos mais de 20 Museus da Imagem e do Som (MIS) instalados nas capitais brasileiras e neles são realizadas muitas atividades que favorecem o aprendizado. São museus contemporâneos, com cara de século XXI. São Museus que valorizam os aspectos locais de cada Estado.

Um dos modelos instituídos ainda nos anos 70, é o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS/SP), que hoje se constitui como um espaço que reúne rico acervo (assim como a Cinemateca Brasileira de São Paulo e o MIS/RJ), além de proporcionar diversão e entretenimento por meio de exposições, eventos culturais consolidados e ainda o laboratório de Novas Mídias, espaço focado na convergência de arte, ciência e tecnologia.

No MIS/SP também são oferecidos cursos teóricos e práticos em diversas áreas como cinema, fotografia, artes plásticas, dentre outros. O MIS/SP é vinculado ao Governo do Estado de São Paulo. Neste sentido, outras capitais estão desenvolvendo projetos similares, produzindo espaços de interação altamente qualificados. As universidades, Estado, Município, colecionadores e a sociedade em geral precisam ser parceiros neste processo, uma vez que o diálogo entre as instituições é decisivo para que os programas sejam executados com qualidade.

O Estado de Roraima precisa avançar quanto ao resgate da memória cultural a partir das imagens e dos sons, considerando o debate que emerge da própria sociedade, para que não se repitam fórmulas antigas, nas quais hoje se revelam em um conjunto de prédios sem uso, que servem apenas para críticas, muitas vezes, carentes de proposições e apontamentos para o futuro. Um projeto de Museu da Imagem e do Som debatido e pensado pela sociedade é um ganho histórico para todos. Afinal, precisamos de espaços culturais que dialoguem diretamente com nossa civilização da imagem.

Leia outro texto de Éder Rodrigues aqui.

* Jornalista, sociólogo, especialista em Marketing e Linguagem Audiovisual. Membro da ABD&C Curta Roraima e da Rede Audiovisual de Roraima. Servidor da UFRR. Email: ederaudiovisual@hotmail.com