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terça-feira, 11 de junho de 2019

Galeria de Artes do Anfiteatro é sede “provisória” da Força Nacional em Roraima há um tempão

O que era para ser provisório parece não ter fim. Metade do primeiro ano do Governo Denarium se vai e a Galeria de Artes do Anfiteatro do Parque Anauá, ainda está ocupada pela Força Nacional.

Foto: blog Crônicas da Fronteira
A Galeria de Artes Luiz Canará era um dos poucos espaços culturais em condições de uso recebidos pela gestão Denarium. Depois de anos fechada, foi reformada e reaberta em setembro de 2017. Desde lá, recebeu pelo menos quatros exposições, uma delas em outubro de 2018. Depois disso, o Governo achou que o espaço deveria abrigar coisas mais importantes que arte e cedeu as instalações do Anfiteatro para a Força Nacional.

O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, prorrogou a permanência da Força Nacional em Roraima, que terminaria em maio, para até novembro deste ano. Segundo nota do Ministério publicada pelo jornal Folha de Boa Vista, as tropas estão na capital desde 27 de outubro de 2018. Em Pacaraima, o policiamento ostensivo de patrulhamento e fiscalização atua desde 12 de fevereiro do ano passado. E em Bonfim, desde 16 de julho de 2018.

Pelo visto, não se pode dizer com segurança que a Galeria receba uma exposição de artes tão cedo.

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Boa Vista: podemos te dar um Conselho? (Parte 2)

Éder Rodrigues*

Um Conselho Municipal de Políticas Culturais é o fórum ideal para discutir o investimento em cultura e contribuir com um plano mínimo que democratize o acesso aos recursos públicos, fazendo crescer e aparecer a cultura plural de uma cidade.

É por meio dele que podemos também compreender que o artista cria e recria o mundo. Aliás, um mundo “Outro”. Mais intenso, mais significativo ou mais provocativo. Em resumo: menos sem graça.

Na contramão disso, vemos no cotidiano de Boa Vista, o investimento na reprodução de um modelo da chamada cultura de elite. Elites são fechadas em seu mundo e não pensam em classes sociais. Estão em um mundo limitado, alienado, reduzido a uma “arte espetáculo”, sob a velha desculpa que “isso já ocorre há muitos anos”.

O que dizer do mundo real? Boa Vista, como o Brasil inteiro, tem na diversidade sua maior riqueza. Exemplo disso no âmbito local é o crescimento gigantesco dos movimentos de cultura urbana ou arte urbana.

Coletivos como: MakuX, AbankaToda Rap, V.A.N Crew, Movimento Urbanus, Duclan Rap, assim como estudantes e professores universitários, dentre outros interessados, surgem com as mesmas demandas – recriar o mundo pela arte. Todos refletem uma cidade cujo espaço urbano proporciona novas relações sociais e artísticas. E vice-versa.

Os conceitos de “centro” e “periferia”, na perspectiva urbana, podem existir para explicar a “desigualdade” (observemos Boa Vista que é um laboratório ao ar livre sobre isso). Mas não servem para explicar as “diferenças”.

Gestores públicos parecem não entender o meio vivido por estes movimentos culturais e, por isso deixam também de compreender o lugar. Todos os lugares são centros de fenômenos da experiência humana. Os movimentos artísticos urbanos sabem disso.
Fonte: Divulgação/Folha Web
O sucesso do Circuito Tom Souza de Skate realizado em Boa Vista, com o campeonato de skate e que contou com a batalha de MCs e Grafites na homenagem a este líder do movimento Long Board; a seleção para o duelo de MCs categoria nacional; a realização do ‘Grafita Roraima’ pela Universidade Federal de Roraima, que tem reunido artistas da Venezuela e Roraima, já formam um público de quase duas mil pessoas, se somados todos estes eventos realizados recentemente.

São números que confrontam o discurso oficial do poder público municipal, que tem ainda em festas como natal, arraial, carnaval e agora “motocicletas” um olhar carinhoso e bem generoso. Estes merecem apoio sim. Mas e os outros?

Nossos aplausos vão para todos os artistas que fazem do dia a dia, da rua, das praças, das escolas e universidades seu campo de ação. Que venham mais intervenções urbanas, mais performances, mais consciência e um Conselho Municipal de Políticas Culturais competente.

* Jornalista, sociólogo, especialista em Marketing e servidor da UFRR.

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Em exposição no Parque Anauá, obra de Cardoso já sofreu censura moral

Atualmente em exposição, na galeria de artes Luiz Canará, em Boa Vista (RR), a obra A Leda e o Cisne (2004), do artista plástico Augusto Cardoso, já foi banida de uma galeria em Manaus (AM). Segundo o próprio autor, por censura moral.

Fonte: Blog Falar de Arte
“A Leda e o Cisne é um clássico renascentista. Eu quis representar em Leda a quebra da inocência, ao partir o seu colar de pérolas. Representei alguns elementos universais, mas que tem tudo a ver com Roraima: tem riquezas, o ouro é oferecido. As chaves podem aprisionar ou libertar o homem. Vejo que elas abrem a nossa cabeça. São a sabedoria. A gaveta aberta é o passado: nela tem as lembranças. Se ela estiver aberta, as verdades também estarão. Mas também pode representar a busca por respostas. O Portal do Milênio abre dimensões, possibilita viagens para outros tempos e verdades”, explicou em 2011 o artista plástico, em entrevista à pesquisadora* Adriana Rangel.

A Leda e o Cisne é uma história da mitologia grega, que inspirou releituras como as de Leonardo da Vinci, Michelangelo e Salvador Dalí. Segundo a mitologia, a jovem Leda, recém-casada com Tíndaro, rei de Esparta, foi seduzida por Zeus, metamorfoseado em cisne. Dessa união, Leda chocou dois ovos, dos quais nasceram quatro filhos: dois do marido; dois de Zeus. Um dos filhos é Helena de Troia.

A obra Leda e o Cisne, de Augusto Cardoso, foi premiada na 10ª edição do Anuário Brasileiro de Artes Plásticas (2011), da Editora Roma Internacional.

Outro trabalho de Cardoso que já foi alvo de polêmica é o projeto Via Sacra, com 15 quadros, com Jesus em nu frontal, exposto na Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, em Boa Vista.

Trajetória Di Cardoso – A Leda e o Cisne faz parte da exposição Trajetória Di Cardoso, com 45 trabalhos inéditos e antigos, produzidos entre 1984 e 2017. A exposição marcou a reabertura da galeria de artes Luiz Canará, no Anfiteatro do Parque Anauá, no dia 29 de setembro de 2017, e ficará aberta ao público até novembro, de terça a sábado, das 10h às 20h. A exposição percorrerá outros locais como Palácio da Cultura Nenê Macaggi, Palácio Senador Hélio Campos e um shopping de Boa Vista.

Augusto Cardoso é autor de mais de mil obras, algumas em acervos privados e públicos de museus, como o do Vaticano, e embaixadas no Brasil, Venezuela, Itália, Argentina, Holanda, Japão, França, Canadá, Áustria e Estados Unidos.

* Tese de Mestrado em Letras da UFRR ‘Cultura e identidade híbrida na obra do artista plástico roraimense Jorge Augusto Cardoso’ (2012), de Adriana Moreno Rangel.

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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Após ser desconsiderado pela Secult, Conselho de Cultura recomenda mudanças em editais

A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) lançou recentemente dois editais, sem consultar o Conselho Estadual de Cultura (CEC): o edital 05/2017, de chamamento público para seleção de projetos para o 2º Festival Makunaima 2017, e o edital 06/2017, de seleção de projetos artísticos para ocupação da galeria de artes Luiz Canará.

O Conselho de Cultura enviou à Secult duas recomendações no dia 9 de agosto. Nesses documentos, o CEC lista diferentes modificações que devem ser feitas nos editais de dança e artes visuais. Até o momento, a Secult não publicou nenhuma errata dos editais, em atendimento às recomendações do Conselho, tampouco deu qualquer retorno oficial ao CEC.

Nas próprias recomendações, o Conselho reforça a importância de o CEC analisar e apresentar parecer sobre editais que tenham como conteúdo temas relacionados à cultura. O Conselho é um órgão superior de assessoramento à Secretaria Estadual, de âmbito consultivo, normativo, fiscalizador e deliberativo na orientação das atividades culturais do Estado. Não é a primeira vez que a gestão atual da Secult toma decisões sem o aval do Conselho Estadual de Cultura.

Entre as recomendações estão a de que a Comissão Curadora do edital para ocupação da galeria de artes Luiz Canará tenha membros com formação acadêmica na área de Artes Visuais. Atualmente, o edital prevê que a comissão seja composta por sete pessoas, com formação em Arquitetura, História, Antropologia, História da Arte, Filosofia ou Estética.

O CEC recomenda ainda alteração nos critérios de avaliação e que a Comissão de Recurso tenha a mesma formação da Comissão de Seleção.

O Conselho aponta também a seguinte incoerência no edital: o elemento de despesa (33.90.31) é referente à premiação, portanto, não obriga o premiado a destinar o recurso a um material ou serviço específico. Contraditoriamente, o mesmo edital especifica em que itens a verba deve ser investida pelo projeto selecionado: catálogo, convite, moldura, cartaz, montagem e desmontagem, folder, coquetel e mídia.

Quanto ao edital de dança, o CEC recomenda que o prazo para os selecionados apresentarem documentação complementar seja ampliado, de três para 15 dias úteis, em virtude da complexidade e da burocracia para abrir conta bancária.

Outra recomendação é que seja suprimida do edital a obrigação de que os selecionados participem do 2º Festival Makunaima 2017. A alegação é de que um festival competitivo realizado somente em Boa Vista não cumpre sua finalidade. “No entanto, os grupos selecionados se dispõem como contrapartida a participar com uma apresentação de um evento da Secult/RR”, garante o documento.

Reforça-se que todas essas modificações seriam desnecessárias, caso a Secult tivesse consultado previamente o Conselho de Cultura, conforme previsto em lei.

#LutopelaculturaRR