sábado, 20 de abril de 2019

Denarium iguala recorde de Suely Campos ao nomear dois parentes seguidos como secretários de Cultura


Ao lado de Suely Campos, Antonio Denarium já é o governador que mais nomeou parentes para o cargo de secretário de Estado da Cultura. Só que Denarium atingiu a marca recorde bem mais rápido: foram menos de 120 dias de gestão para deixar tudo em família e nomear uma cunhada após a outra, as irmãs Leila Soares de Souza Perussolo e agora Tânia Soares de Souza. A primeira assumiu em dezembro de 2018, ainda no Governo interventor, e a segunda em abril de 2019.

Até então, Suely Campos estava isolada na liderança, com a marca de dois familiares nomeados como secretários de Cultura: José Alcione de Almeida Júnior, concunhado da filha da governadora e gestor da pasta de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016, e a irmã Selma Mulinari, que ficou de fevereiro de 2016 a dezembro de 2018, quando, após sequer ir ao segundo turno das eleições, Suely Campos foi afastada do cargo mediante invenção federal, por causa do colapso financeiro no Governo.

Com isso, dos oito secretários de toda a história da Secretaria de Estado da Cultura, metade são parentes do governador da vez. Desde dezembro de 2015, a secretaria não sabe o que é ser gerida por alguém que não seja familiar do mais alto mandatário do Estado, o que corresponde a três dos seis anos de existência da Secult, criada em 2013.

Abaixo confira os secretários de Cultura de cada gestão:

Governo Anchieta
Gerlane Baccarin: fevereiro a março de 2013
Marco Aurélio: março a dezembro de 2013

Governo Chico Rodrigues
Airton Dias: janeiro de 2014 a dezembro de 2014

Governo Suely Campos
Marcos Jorge de Lima: janeiro a dezembro de 2015
José Alcione de Almeida Júnior: dezembro de 2015 a fevereiro de 2016
Selma Mulinari: fevereiro de 2016 a dezembro de 2018

Governo Denarium
Leila Soares de Souza Perussolo: dezembro de 2018 a abril de 2019
Tânia Soares de Souza: abril de 2019 até hoje

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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Na Secult, governador troca uma cunhada pela outra e nomeia esposa de deputado como adjunta

Tânia Soares tomando posse na Setrabes. Foto: Roraima Hoje.
Tânia Soares de Souza é a nova secretária interina de Estado da Cultura. O decreto de nomeação foi publicado no Diário Oficial do Estado no dia 17 de abril de 2019. Cunhada do governador Antonio Denarium, Tânia Soares de Souza substitui a irmã Leila Soares de Souza Perussolo, que ocupava o cargo desde o início da atual gestão do Governo. Segundo o decreto, a nova secretária responderá pela pasta sem ônus para o Estado, cargo que acumulará com a função de secretária de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social, pelo qual recebe R$ 23 mil por mês.

Como secretária-adjunta, foi nomeada Dianiery de Souza Coelho, esposa do deputado estadual Odilon, do partido Patriotas. Pela função, a adjunta receberá mais de R$ 16 mil por mês.

Tânia Soares de Souza é formada em Letras pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e mestranda em Educação pela Universidade Estadual de Roraima (UERR). Fora ter sido Conselheira Estadual de Cultura na década passada, não ostenta no currículo experiência relevante com gestão cultural. 

Dianiery de Souza Coelho foi ouvidora-geral no Governo Suely Campos, secretária parlamentar do deputado federal Remídio Monai e autônoma. De acordo com ela própria, ao lado do marido, então prefeito de Caracaraí, foi secretária Municipal de Ação Social. Nas eleições de 2016, foi candidata derrotada à Prefeitura de Caracaraí. Naquelas eleições, informou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR) ter ensino médio completo e nas redes sociais dizia ser formada em Gestão Pública.


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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Governador de Roraima nomeia chefes de espaços culturais que estão interditados

O governador de Roraima, Antonio Olivério Garcia de Almeida, cujo nome social é Antonio Denarium, nomeou servidores para serem chefes de dois espaços culturais que estão há anos sem funcionamento: a Casa da Cultura e o Teatro Carlos Gomes. A informação foi publicada no jornal Folha de Boa Vista.

Segundo o jornal, a Casa da Cultura e o Teatro Carlos Gomes têm mais de 15 e 20 de abandono, respectivamente.

O decreto com a nomeação dos comissionados foi publicado no Diário Oficial do Estado, no dia 2 de janeiro de 2019.

Em resposta ao jornal, a Secretaria de Comunicação Social do Governo do Estado informou que "os servidores nomeados para a Casa da Cultura e para o Teatro Carlos Gomes exercem atividades funcionais no Palácio da Cultura Nenê Macaggi, atendendo às necessidades dos referidos cargos".

Em audiência na Câmara Municipal de Boa Vista, a Secretária interina de Estado da Cultura, Leila Perussolo, cunhado do Governador, ao defender a extinção da Secult, disse que a secretaria "serviu apenas para manter cargos comissionados".

Na mesma audiência, o Secretário Chefe-Adjunto da Casa Civil, João de Carvalho, declarou que não há como manter os espaços culturais do Governo com recursos próprios.

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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Contra a extinção da Secult: entenda o movimento Acorda Cultura

Somos contra a extinção da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e o seu rebaixamento à condição de coordenadoria, subordinada à Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedesc), supersecretaria que substituirá a Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes), na reforma administrativa pretendida pelo Governo de Roraima. 

Entendemos que a cultura é um setor estratégico de toda sociedade, motor do desenvolvimento humano, econômico e social. Cultura não é gasto. É investimento. Não compete com outras áreas. Pelo contrário, investir em cultura é investir em segurança pública, saúde e educação. Cultura gera emprego e renda, aumenta a qualidade de vida e é um importante meio de tirar pessoas da condição de vulnerabilidade social. E, por isso, merece um órgão gestor à altura de sua importância. 

Segundo o Ministério da Cultura, quando o órgão gestor é um departamento vinculado a uma secretaria não exclusiva, a cultura tem pequeno poder político, estrutura administrativa precária e poucos recursos. Não é isso que queremos para a cultura. 

Não aceitamos o fim da Secult, sob o questionável argumento de que é preciso gastar menos, quando o próprio Governo se recursa a informar quanto a extinção da secretaria representará em economia ao erário. 

Além disso, a criação da secretaria foi uma dos compromissos assumidos por Roraima para aderir ao Sistema Nacional de Cultura e, consequentemente, receber recursos do Fundo Nacional de Cultura. 

A Secult é uma conquista da sociedade civil organizada, que se tornou realidade após ampla mobilização dos agentes culturais, coletivos e entidades do segmento. Extingui-la é um ato antidemocrático, que desrespeita a vontade popular, a participação coletiva e os direitos sociais. 

Ao contrário do que promete o Governo do Estado, não há garantias de que as políticas para o setor continuarão com a redução proposta pela atual gestão. 

A Cultura sempre foi uma pasta a trabalhar com poucos recursos. Seu orçamento jamais chegou perto de 1% da verba total do Governo de Roraima. Cortar ainda mais esses recursos será um duro golpe contra um setor que, mesmo às duras penas, tem dado sua parcela de contribuição à sociedade. Não precisamos da extinção da Secult. Precisamos de gestão eficiente. 

Estamos confiantes de que os deputados estaduais ficarão ao lado daqueles que representam e não aprovarão uma proposta desastrosa como essa, que atenta contra os direitos culturais da população, garantidos constitucionalmente, e que pode trazer prejuízos irreversíveis para o desenvolvimento de Roraima.

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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Governo de Roraima quer acabar com a Secult

O Governo Denarium quer porque quer extinguir a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), fazendo de tudo para que o povo acredite que, mesmo assim, todas as atuais políticas do setor continuarão. Criada por meio de lei, a extinção da Secult também precisa ser votada pela Assembleia Legislativa de Roraima.

Na proposta daquilo que a atual gestão tem chamado de reforma administrativa, a Secult seria rebaixada à condição de Coordenadoria de Gestão Cultural, subordinada à supersecretaria que substituirá a Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes): a Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedesc) herdaria as atribuições da Setrabes, da Secult e do esporte.

O Governo mesmo parece não ter certeza de que esta é a melhor medida a ser tomada. Segundo se ouviu da própria secretária da Educação, a anexação da cultura à Setrabes ainda não passava de uma possibilidade no começo de fevereiro. Ou seja, o que hoje é dado como certo, há pouco tempo, era uma incógnita para a cúpula.

Na audiência na Câmara Municipal de Boa Vista para discutir a possível extinção da Secult, no dia 4 de abril, foram obrigados a dar explicações os seguintes representantes do Governo do Estado: as atuais secretárias da Setrabes e interina da Secult, respectivamente, as irmãs Tânia Soares de Souza e Leila Soares de Souza Perussolo, e o Adjunto da Casa Civil, João de Carvalho.

Os três foram unânimes em defender o rebaixamento da Secult à condição de coordenadoria, com o argumento de que a secretaria representa um alto gasto e “nunca fez nada”. Segundo eles, a dívida atual da Secult é de quase R$ 5 milhões e a secretaria gastava demais com 87 cargos comissionados. 

Segundo a Secult, o número de comissionados foi reduzido para 58, mas não chegou a dizer se tal corte foi uma resposta à recomendação do Ministério Público do Trabalho, que identificou, em todo o Governo, cerca de sete mil funcionários em cargos de comissão ou temporários, em um universo de 20 mil servidores. Ou seja, 35% dos servidores em atividade na administração direta não eram concursados na gestão Denarium, o que representaria R$ 250 milhões por ano com servidores não concursados, de acordo com o Ministério Público.

Como noticiou o portal G1, no início do mandato, após polêmica, Denarium se viu obrigado a demitir a irmã e o sobrinho dos cargos comissionados de terceiro escalão para os quais foram nomeados pelo governador, para a Setrabes e a Secult, geridas por cunhadas de Antonio Denarium: Tânia Soares e Leila Soares Perussolo.

Mesmo perguntados por três vezes na audiência pública na Câmara Municipal, uma delas, pelo vereador Idazio da Perfil, nenhum dos secretários do Governo, todos ocupantes de cargos comissionados que recebem R$ 23 mil reais por mês, informou quanto o rebaixamento da Secult representará em economia de recursos financeiros.

Como resultado da audiência pública, um relatório será encaminhado pela Câmara Municipal ao Governo do Estado e à Assembleia Legislativa.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Propostas e compromissos assumidos com a cultura pelo governador eleito de Roraima

Tal qual fizemos com os eleitos para os cargos de senador e deputado, lembramos aqui os compromissos assumidos com o segmento cultural pelo governador de Roraima eleito em 2018, Antonio Denarium.

Na roda de prosa 'A cultura na pauta das eleições 2018', realizada no dia 19 de setembro de 2018, no Espaço Circular de Cultura Malokômbia, Antonio Denarium foi representado por Cynthia Lins e Tânia Sousa, que, em nome do então candidato, assumiram espontaneamente os seguintes compromissos: 
  • criar grupo técnico responsável por captar recursos federais para a realização de eventos culturais em parceria com os municípios; 
  • reformular Lei de Incentivo à Cultura, para ampliar a participação do empresariado; 
  • restaurar espaços culturais; 
  • efetivar a inclusão de Roraima no Sistema Nacional de Cultura; 
  • fortalecer pontos de cultura e outras iniciativas existentes; 
  • incentivar a realização de eventos nos municípios; 
  • promover a formação de produtores culturais, voltada à captação de recursos. 
O candidato registrou ainda no TSE o documento ‘Propostas de Governo’, em que constam no item ‘Cultura, turismo e lazer’:
  • reformulação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura para ampliar a capacidade de participação empresarial no patrocínio de projetos artístico-culturais, fortalecendo a economia criativa da cultura; 
  • restauração e uso com participação da iniciativa privada de espaços públicos como Casa da Cultura e Teatro Carlos Gomes, atualmente abandonados; 
  • criação de Grupo Técnico para formatação de projetos para Captação de Recursos na Esfera Federal e Empresas Multinacionais para fomentar a realização de eventos culturais em parceria com as prefeituras municipais; 
  • regulamentação e Execução da adesão de Roraima ao Sistema Nacional de Cultura, para ampliar as ações de parcerias com o Ministério da Cultura; 
  • fortalecimento das ações de cultura já existentes, principalmente através das iniciativas associoativistas como pontos de cultura, grupos folclóricos e entidades representativas de segmentos artísticos-culturais; 

Festas tradicionais
  • incentivo aos principais eventos dos municípios na preservação das culturas locais, folclóricas e atração de investimentos gerando empregos e renda através da economia criativa. 

Turismo
  • viabilizar Incentivos fiscais às empresas de aviação comercial para ampliar a malha aérea de Roraima e articulação para implantação de um 24 vôo internacional, visando atrair turistas para atividades de ecoturismo, etnoturismo, turismo de aventura e pesca esportiva. 

4CS - ciência, cultura, criatividade e conhecimento
  • realização de programas de leitura, pesquisa e incentivo a robótica para avanço no campo da ciência estratégica, ampliado a possibilidade de uma carreira profissional com excelente aproveitamento. 

Além disso, ao procurar pela palavra ‘cultura’ no site do candidato, a principal postagem encontrada é o vídeo ‘Incentivo a cultura: propostas de Antonio Denarium’, que garante que “todas as festas tradicionais de Roraima terão o apoio incondicional de Antonio Denarium”. Ele próprio declara no vídeo: “com incentivo aos principais eventos culturais dos municípios, com a atração de investimentos, gerando emprego e renda, estão em meus planos”.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Análise crítica: a cultura no plano de Governo de Antonio Denarium e Anchieta


De modo geral, o plano de Governo das duas candidaturas é vago quando o assunto é cultura.

Em ambos os planos, há uma ênfase na recuperação de espaços públicos culturais. Os dois citam textualmente a Casa da Cultura e o Teatro Carlos Gomes que, de fato, merecem atenção. E apontam como saída para a situação atual desses e de outros prédios a participação da iniciativa privada. Empresas, supõe-se. Nenhum deles usa o termo ‘privatização’. 

Ambos falam também em apoiar eventos culturais, o que, em si, não é negativo, desde que não signifique apoio somente a eventos. 

Ao ler os dois planos, a preocupação é que a política cultural do Governo de Roraima continue tendo como prioridade míope o investimento em grandes eventos, com, além disso, no máximo, reformas/restaurações de prédios públicos culturais abandonados pelas últimas gestões. E nada mais que não seja megaevento e prédio! 

Nenhum dos planos prevê textualmente ações de incentivo à cultura indígena, matriz fundamental da cultura de Roraima. 

Denarium é o único a propor textualmente: mudança na Lei Estadual de Incentivo à Cultura, efetivação da adesão de Roraima ao Sistema Nacional de Cultura, apoio ao etnoturismo e a programa de leitura. 

Anchieta é o único a propor textualmente: interação entre cultura e educação, fortalecimento do ensino de Artes nas escolas, estímulo a projetos culturais em comunidades vulneráveis, ênfase no público jovem, apoio a programas de formação de público para eventos culturais, editais culturais de chamamento público e valorização da cultura imaterial. 

Abaixo, análise mais detalhada de cada plano de Governo: 


Antonio Denarium (PSL) 

Vice: Frutuoso Lins (PTC) 
Coligação: PSL / PROS / PSC / PTC / PRB / PRP / PATRI / PPL 

Em resumo, o documento ‘Propostas de Governo’ da chapa encabeçada pelo candidato Antonio Denarium cita pretensões interessantes, mas é superficial nas práticas a serem empregadas para atingir os objetivos mencionados. 

O documento fala de reformulação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura para ampliar a capacidade de participação empresarial no patrocínio de projetos artístico-culturais, mas não deixa claro que reformulações seriam essas nem como elas ampliariam a capacidade de participação empresarial no patrocínio de projetos. 

O plano menciona uso de espaços públicos como Casa da Cultura e Teatro Carlos Gomes, com participação da iniciativa privada, mas não utiliza termos como ‘privatização’ ou ‘parcerias público-privadas’ (PPPs). Não fica claro como será essa participação da iniciativa privada, que, supõe-se, sejam empresas privadas. Será somente financiamento pelas empresas? Também cogestão desses espaços? O plano do candidato não usa a expressão ‘patrimônio cultural’. 

Duas propostas apontam para a importância que a chapa dá aos eventos nos municípios: além de proposta de incentivo aos principais eventos dos municípios na preservação das culturas locais, o documento prevê a “criação de Grupo Técnico para formatação de projetos para Captação de Recursos na Esfera Federal e Empresas Multinacionais para fomentar a realização de eventos culturais em parceria com as prefeituras municipais”. Destaca-se que esta última proposta evidencia que a captação de recursos terá como foco a realização de eventos, com a criação de grupo técnico específico para conseguir verba para tais atividades, e nenhum outro fim.

Na proposta para “regulamentação e Execução da adesão de Roraima ao Sistema Nacional de Cultura, para ampliar as ações de parcerias com o Ministério da Cultura”, não estão claras que ações serão realizadas para regulamentar e executar a referida adesão. 

É citado ainda o “fortalecimento das ações de cultura já existentes, principalmente através das iniciativas associoativistas como pontos de cultura, grupos folclóricos e entidades representativas de segmentos artísticos-culturais”, mas não está claro como se dará efetivamente esse fortalecimento. Por meio de repasse direto de recursos? Por editais de seleção? Por meio de orientação gratuita de profissionais especializados em temas como gestão de projetos culturais, elaboração de projetos, prestação de contas, etc.? 

Outras propostas citam superficialmente a temática cultural. Uma pretende “viabilizar Incentivos fiscais às empresas de aviação comercial para ampliar a malha aérea de Roraima e articulação para implantação de um 24 vôo internacional”, visando atrair turistas para atividades de etnoturismo, entre outras. Desse modo, a única proposta do candidato que mais claramente se aproxima da cultura indígena refere-se unicamente a essa cultura como atração para turistas. 

A outra proposta que cita superficialmente a temática cultural fala em “realização de programas de leitura, pesquisa e incentivo a robótica para avanço no campo da ciência estratégica”, o que passa a ideia de que essa ação voltada à leitura será exclusivamente direcionada para a área da robótica ou, no máximo, será uma leitura para fins científicos. 

Como positivo, pode ser apontada a preocupação em aperfeiçoar a Lei de Incentivo à Cultura, efetivar a adesão de Roraima ao Sistema Nacional de Cultura, fortalecimento das ações de cultura já existentes promovidas pela sociedade civil, restaurar prédios públicos culturais e promover a leitura. 


Anchieta (PSDB) 

Vice: Abel Galinha (DEM) 
Coligação: PSDB / PSD / SD / DC / MDB / DEM / PPS 

O documento ‘Propostas de Governo’ da chapa encabeçada pelo candidato Anchieta não traz exatamente propostas. São princípios, o que, na maioria dos casos, não deixa claras as ações. 

São mostradas boas intenções da chapa, sem que se diga que práticas serão adotadas para concretizar, por exemplo, princípios como “interação entre cultura e educação”, “fortalecimento do ensino das Artes nas escolas estaduais”, “estímulo a projetos culturais em comunidades vulneráveis, com especial atenção ao engajamento dos jovens” e “apoio a programas de formação de público para eventos culturais”. 

Há uma ênfase em patrimônio, com quatro propostas referentes ao assunto, sendo que três delas fala em patrimônio material e/ou prédios, o que pode significar uma preocupação excessiva com os espaços físicos, em detrimento da política de uso desses ambientes e da manutenção das atividades cotidianas correlatas necessárias. 

Há duas citações ao público jovem. Uma como beneficiário da interação entre cultura e educação, o que seria decisivo “no processo de emancipação do jovem de Roraima, que vive numa sociedade multicultural”. O jovem também é citado como público cujo engajamento receberá “especial atenção” no estímulo a projetos culturais em comunidades vulneráveis. 

O plano restringe o “estímulo a políticas públicas que se articulem em torno dos desafios da formação, manutenção e difusão das atividades culturais” a editais culturais de chamamento público. Ou seja, o documento dá a entender que políticas públicas relacionadas à formação, à manutenção e à difusão de atividades culturais somente se dará por meio de editais públicos, excetuando-se casos específicos previstos em outras propostas. 

Além disso, não está claro se o termo “formação” acima se refere a curso, oficinas, etc. ou ao surgimento de atividades culturais. Portanto, não se pode dizer com certeza se o plano de Governo prevê formação cultural de artistas e produtores do segmento. 

O documento fala em “consolidação do conceito de parceria público‐privada, com responsabilidades compartilhadas”, o que parece estar restrito ao financiamento, ou seja, ao patrocínio, e não à participação de empresas na gestão de espaços públicos. 

O plano menciona como eventos “de maior significância da cultura regional”, que receberiam apoio “especial” a programas de formação de público, festas juninas e festival de fanfarras, além de um genérico “entre outros”. Eventos culturais indígenas não são citados textualmente como de maior significância da cultura regional. 

Como positivo, pode ser apontada a preocupação com a interação entre cultura e educação, o fortalecimento do ensino de Artes nas escolas, ações afirmativas na política cultural (junto a comunidades vulneráveis, com ênfase no público jovem), o apoio a programas de formação de público para eventos culturais, editais culturais de chamamento público, restauração de prédios públicos culturais e a valorização da cultura material e imaterial.

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CARTA DA CULTURA DE RORAIMA
Cultura: sugestões que nossa experiência identifica como urgentes
Lei Estadual de Incentivo: sugestões de artistas e produtores culturais de Roraima feitas em 2015
Carta de Roraima
Carta de Roraima (com anexos)
Minuta de decreto da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, proposta à Secult pelo Conselho de Cultura